Espere, lhe contarei segredos. E de segredos e segredos você ficará tão farto de mim que me cuspirá para fora, e serei novamente mais uma na multidão. Porque meus segredos eram meus. Porque confiei em quem não deveria. E porque fora estúpido demais para amar. As pessoas esbarraram em mim, já não serão reconhecidas. Encontraremo-nos, porém, não restará nada se não a antiga vergonha de um dia ter feito parte daquilo. Estranhos desconhecidos, nada seremos. Nada somos, e assim a vida continua. E quando você sentir falta, olhe as fotos, mas não virá o amor, nostalgia acumulada transforma-se em raiva e logo após não há nada de bom para relembrar-se. A verdade é que já esquecemos. É tudo tão rápido, e em breve, não teremos nada se não nós próprios. A vida irá sorrir de novo, e segredos serão partilhados, e já não viverei para isso. Cansada demais de me doar à quem não deveria. Cansada demais. Hora de pendurar os sapatos na porta, desarrumar as malas, e permanecer um pouco em meu próprio espaço. Tempo de lembrar quem fui e por que sumi. Tempo sentar na cama e rasgar as fotos, rasgar os papéis, e rasgar todo o resto, tendo em mente que é necessário recomeçar. A grande parte difícil. Recomeçar. Quando você não sabe como mudou, ou como chegou aqui, ou como irá em frente. Então você para, retrocede, e recomeça. Não, lágrimas não, recomeçar é preciso, e é possível. Hora de encarar os fatos, e logo isso passará, e logo você voltará a ser você mesma. Só aguarde. O futuro grande coisas esconde.
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