Noite passada vi uma estrela. Não era uma estrela qualquer, era uma estrela cadente. Não pude me conter diante da euforia do acontecimento e corri até meu quarto - já que era a primeira vez que algo assim acontecia comigo - e busquei incessantemente por meu celular, desejando partilhar meu pedido com alguém importante. Mas apesar dos diversos números que meu telefone continha e das diversas páginas abertas em meu computador, não encontrei ninguém. Não havia ninguém com quem eu pudesse partilhar aquele acontecimento que eu chamava de único, pois eu estava só. Não só de pessoas, só de corações. Não havia ninguém com quem eu realmente me importasse, e não havia mais ninguém que se importasse. Guardei o telefone, guardei o pedido, e guardei a nostalgia. Não era hora de deixar pequenas besteiras tomarem conta de mim. Eu sabia exatamente o que estava fazendo, e assim era melhor. Eu voltara a ser quem era meses atrás: a garota que ficava melhor sozinha. Apesar da sensação de velhice e de me sentir a maior parte do tempo como uma luz queimada que não podia mais brilhar, sorri. Nada me tiraria a paz de estar livre, e embora os tempos fossem maus e as folhas secas de mais para uma estação que deveria ser chamada de boa, notei que as páginas em branco, que ainda seriam escritas, eram minha esperança. A felicidade de poder amar de verdade, quem sabe um dia, me aquecia o coração. E apesar da solidão, me senti bem. Sem expectativas, e sem prováveis decepções. O mundo estava cheio, lotado, derramando tudo pelos cantos, e eu estava bem. Sem muita paciência, confesso. Mas isso só duraria alguns meses. Em breve estaria bem de verdade, com sorrisos sinceros, novas esperanças, e com novas paisagens para me encantar. Estou cansada de esperar de mais das situações e das pessoas. Dali para frente esperaria apenas o que as pessoas poderiam esperar de mim: silêncio. Um quase nada que de pouco em pouco se mostraria. Os dias seguintes e as novas chuvas que viriam, isso só tempo poderia mostrar. E o pedido que havia feito à estrela cadente, embora soubesse que ela nada poderia me dar, era exatamente o mesmo que pedia em todos os meus aniversários, na hora de soprar a vela: "Quero ser feliz para sempre."
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