Noite passada vi uma estrela. Não era uma estrela qualquer, era uma estrela cadente. Não pude me conter diante da euforia do acontecimento e corri até meu quarto - já que era a primeira vez que algo assim acontecia comigo - e busquei incessantemente por meu celular, desejando partilhar meu pedido com alguém importante. Mas apesar dos diversos números que meu telefone continha e das diversas páginas abertas em meu computador, não encontrei ninguém. Não havia ninguém com quem eu pudesse partilhar aquele acontecimento que eu chamava de único, pois eu estava só. Não só de pessoas, só de corações. Não havia ninguém com quem eu realmente me importasse, e não havia mais ninguém que se importasse. Guardei o telefone, guardei o pedido, e guardei a nostalgia. Não era hora de deixar pequenas besteiras tomarem conta de mim. Eu sabia exatamente o que estava fazendo, e assim era melhor. Eu voltara a ser quem era meses atrás: a garota que ficava melhor sozinha. Apesar da sensação de velhice e de me sentir a maior parte do tempo como uma luz queimada que não podia mais brilhar, sorri. Nada me tiraria a paz de estar livre, e embora os tempos fossem maus e as folhas secas de mais para uma estação que deveria ser chamada de boa, notei que as páginas em branco, que ainda seriam escritas, eram minha esperança. A felicidade de poder amar de verdade, quem sabe um dia, me aquecia o coração. E apesar da solidão, me senti bem. Sem expectativas, e sem prováveis decepções. O mundo estava cheio, lotado, derramando tudo pelos cantos, e eu estava bem. Sem muita paciência, confesso. Mas isso só duraria alguns meses. Em breve estaria bem de verdade, com sorrisos sinceros, novas esperanças, e com novas paisagens para me encantar. Estou cansada de esperar de mais das situações e das pessoas. Dali para frente esperaria apenas o que as pessoas poderiam esperar de mim: silêncio. Um quase nada que de pouco em pouco se mostraria. Os dias seguintes e as novas chuvas que viriam, isso só tempo poderia mostrar. E o pedido que havia feito à estrela cadente, embora soubesse que ela nada poderia me dar, era exatamente o mesmo que pedia em todos os meus aniversários, na hora de soprar a vela: "Quero ser feliz para sempre."
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
Espere
Espere, lhe contarei segredos. E de segredos e segredos você ficará tão farto de mim que me cuspirá para fora, e serei novamente mais uma na multidão. Porque meus segredos eram meus. Porque confiei em quem não deveria. E porque fora estúpido demais para amar. As pessoas esbarraram em mim, já não serão reconhecidas. Encontraremo-nos, porém, não restará nada se não a antiga vergonha de um dia ter feito parte daquilo. Estranhos desconhecidos, nada seremos. Nada somos, e assim a vida continua. E quando você sentir falta, olhe as fotos, mas não virá o amor, nostalgia acumulada transforma-se em raiva e logo após não há nada de bom para relembrar-se. A verdade é que já esquecemos. É tudo tão rápido, e em breve, não teremos nada se não nós próprios. A vida irá sorrir de novo, e segredos serão partilhados, e já não viverei para isso. Cansada demais de me doar à quem não deveria. Cansada demais. Hora de pendurar os sapatos na porta, desarrumar as malas, e permanecer um pouco em meu próprio espaço. Tempo de lembrar quem fui e por que sumi. Tempo sentar na cama e rasgar as fotos, rasgar os papéis, e rasgar todo o resto, tendo em mente que é necessário recomeçar. A grande parte difícil. Recomeçar. Quando você não sabe como mudou, ou como chegou aqui, ou como irá em frente. Então você para, retrocede, e recomeça. Não, lágrimas não, recomeçar é preciso, e é possível. Hora de encarar os fatos, e logo isso passará, e logo você voltará a ser você mesma. Só aguarde. O futuro grande coisas esconde.
sábado, 10 de novembro de 2012
Bela
Notou-se, então, que era passado. Os sonhos antes vívidos e brilhantes, agora jaziam tão opacos que quase não se viam, era passado. E os olhos morreram. E as mãos cansaram. O coração finalmente passou. Talvez fosse uma daquelas diversas vezes da vida em que não se sentia mais nada. Absolutamente nada. Todos tinham, em certo período, uma transição quase invisível entre o belo e o real. Não se sabia ao certo o momento em que a transição ocorria, ou sob quais circunstâncias, mas era certo que ela ocorria, e com frequência. E chegou para ela. Descobriu tantas inverdades que à tempos atrás a destruiriam. Porém, agora, ela estava no penoso tempo do real, em que nada sentia, e nada importava. Estava só, e fazia questão disso. Não tinha cabeça para pertencer à nada, não tinha nada e assim estava bem. Ah, ninguém entenderia o que se passava dentro dela. Ninguém descreveria com palavras, pois não lhes seria possível. As más línguas afirmariam que estava herdando a loucura aos poucos, dos antecedentes, mas ela não tinha medo disso, sabia que não era sobre isso que se tratava. Era do tempo real. E ninguém entenderia, por isso não explicava. Em suma, as mãos secas e os olhos congelados espantariam os que insistiram em ficar, e ela jamais conseguiria ficar triste por isso, não tinha mais esse poder. Porém, estava tão chateada! Todos que vinham e ficavam por um tempo, quando iam embora, levavam mais um pedaço. E de pedaços e pedaços, ela ficara sem nada. Nem se conhecia. Tinha tanto de todos, que não sabia mais quem era. Queria voltar no tempo, segurar à si mesma, pousar a mão nos cabelos, outrora lisos, e acariciar o rosto ainda jovem e afirmar a si mesma: "Não se perca, menina". E saberia, que menina como era, ouviria os conselhos, que se reconheceria neles, e pensaria por toda a madrugada sobre o assunto, e ouviria. Mas era tarde, e isso era terrível. O tempo passara, e com certeza não voltaria. Portanto, levantou o rosto e olhou firme para frente, resoluta a não lamentar-se por nada, e firme na decisão de que mais ninguém, absolutamente ninguém, levaria seus pedaços. Se contentaria com o que restou e tinha a certeza de que dia ou outro, seria feliz. Disso tinha certeza, pois, alguém muito confiável lhe afirmara uma vez: "Você será feliz". E por isso acreditou, iria à frente, e realizaria tudo que tivesse de ser feito. Aliás, quem sabe a vida não lhe aguardava com belas surpresas um pouco mais à frente?
Fincou os pés no chão e foi, mal sabendo se conseguiria, mas com a certeza de que ao menos tentaria.
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