"Como eu poderia explicar de modo que ele entendesse? Eu era uma concha vazia. Como uma casa vazia, por meses sem ninguém - uma casa condenada-, eu era completamente inabitável. Agora havia algumas melhorias. A sala da frente estava em reformas. Mas era só isso - só um cômodo pequeno. Ele merecia alguém melhor - melhor do que uma casa em ruínas com um cômodo só. Nenhum investimento dele poderia me deixar funcional outra vez."
(New Moon; 158)
domingo, 23 de dezembro de 2012
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Cadente
Noite passada vi uma estrela. Não era uma estrela qualquer, era uma estrela cadente. Não pude me conter diante da euforia do acontecimento e corri até meu quarto - já que era a primeira vez que algo assim acontecia comigo - e busquei incessantemente por meu celular, desejando partilhar meu pedido com alguém importante. Mas apesar dos diversos números que meu telefone continha e das diversas páginas abertas em meu computador, não encontrei ninguém. Não havia ninguém com quem eu pudesse partilhar aquele acontecimento que eu chamava de único, pois eu estava só. Não só de pessoas, só de corações. Não havia ninguém com quem eu realmente me importasse, e não havia mais ninguém que se importasse. Guardei o telefone, guardei o pedido, e guardei a nostalgia. Não era hora de deixar pequenas besteiras tomarem conta de mim. Eu sabia exatamente o que estava fazendo, e assim era melhor. Eu voltara a ser quem era meses atrás: a garota que ficava melhor sozinha. Apesar da sensação de velhice e de me sentir a maior parte do tempo como uma luz queimada que não podia mais brilhar, sorri. Nada me tiraria a paz de estar livre, e embora os tempos fossem maus e as folhas secas de mais para uma estação que deveria ser chamada de boa, notei que as páginas em branco, que ainda seriam escritas, eram minha esperança. A felicidade de poder amar de verdade, quem sabe um dia, me aquecia o coração. E apesar da solidão, me senti bem. Sem expectativas, e sem prováveis decepções. O mundo estava cheio, lotado, derramando tudo pelos cantos, e eu estava bem. Sem muita paciência, confesso. Mas isso só duraria alguns meses. Em breve estaria bem de verdade, com sorrisos sinceros, novas esperanças, e com novas paisagens para me encantar. Estou cansada de esperar de mais das situações e das pessoas. Dali para frente esperaria apenas o que as pessoas poderiam esperar de mim: silêncio. Um quase nada que de pouco em pouco se mostraria. Os dias seguintes e as novas chuvas que viriam, isso só tempo poderia mostrar. E o pedido que havia feito à estrela cadente, embora soubesse que ela nada poderia me dar, era exatamente o mesmo que pedia em todos os meus aniversários, na hora de soprar a vela: "Quero ser feliz para sempre."
domingo, 18 de novembro de 2012
Espere
Espere, lhe contarei segredos. E de segredos e segredos você ficará tão farto de mim que me cuspirá para fora, e serei novamente mais uma na multidão. Porque meus segredos eram meus. Porque confiei em quem não deveria. E porque fora estúpido demais para amar. As pessoas esbarraram em mim, já não serão reconhecidas. Encontraremo-nos, porém, não restará nada se não a antiga vergonha de um dia ter feito parte daquilo. Estranhos desconhecidos, nada seremos. Nada somos, e assim a vida continua. E quando você sentir falta, olhe as fotos, mas não virá o amor, nostalgia acumulada transforma-se em raiva e logo após não há nada de bom para relembrar-se. A verdade é que já esquecemos. É tudo tão rápido, e em breve, não teremos nada se não nós próprios. A vida irá sorrir de novo, e segredos serão partilhados, e já não viverei para isso. Cansada demais de me doar à quem não deveria. Cansada demais. Hora de pendurar os sapatos na porta, desarrumar as malas, e permanecer um pouco em meu próprio espaço. Tempo de lembrar quem fui e por que sumi. Tempo sentar na cama e rasgar as fotos, rasgar os papéis, e rasgar todo o resto, tendo em mente que é necessário recomeçar. A grande parte difícil. Recomeçar. Quando você não sabe como mudou, ou como chegou aqui, ou como irá em frente. Então você para, retrocede, e recomeça. Não, lágrimas não, recomeçar é preciso, e é possível. Hora de encarar os fatos, e logo isso passará, e logo você voltará a ser você mesma. Só aguarde. O futuro grande coisas esconde.
sábado, 10 de novembro de 2012
Bela
Notou-se, então, que era passado. Os sonhos antes vívidos e brilhantes, agora jaziam tão opacos que quase não se viam, era passado. E os olhos morreram. E as mãos cansaram. O coração finalmente passou. Talvez fosse uma daquelas diversas vezes da vida em que não se sentia mais nada. Absolutamente nada. Todos tinham, em certo período, uma transição quase invisível entre o belo e o real. Não se sabia ao certo o momento em que a transição ocorria, ou sob quais circunstâncias, mas era certo que ela ocorria, e com frequência. E chegou para ela. Descobriu tantas inverdades que à tempos atrás a destruiriam. Porém, agora, ela estava no penoso tempo do real, em que nada sentia, e nada importava. Estava só, e fazia questão disso. Não tinha cabeça para pertencer à nada, não tinha nada e assim estava bem. Ah, ninguém entenderia o que se passava dentro dela. Ninguém descreveria com palavras, pois não lhes seria possível. As más línguas afirmariam que estava herdando a loucura aos poucos, dos antecedentes, mas ela não tinha medo disso, sabia que não era sobre isso que se tratava. Era do tempo real. E ninguém entenderia, por isso não explicava. Em suma, as mãos secas e os olhos congelados espantariam os que insistiram em ficar, e ela jamais conseguiria ficar triste por isso, não tinha mais esse poder. Porém, estava tão chateada! Todos que vinham e ficavam por um tempo, quando iam embora, levavam mais um pedaço. E de pedaços e pedaços, ela ficara sem nada. Nem se conhecia. Tinha tanto de todos, que não sabia mais quem era. Queria voltar no tempo, segurar à si mesma, pousar a mão nos cabelos, outrora lisos, e acariciar o rosto ainda jovem e afirmar a si mesma: "Não se perca, menina". E saberia, que menina como era, ouviria os conselhos, que se reconheceria neles, e pensaria por toda a madrugada sobre o assunto, e ouviria. Mas era tarde, e isso era terrível. O tempo passara, e com certeza não voltaria. Portanto, levantou o rosto e olhou firme para frente, resoluta a não lamentar-se por nada, e firme na decisão de que mais ninguém, absolutamente ninguém, levaria seus pedaços. Se contentaria com o que restou e tinha a certeza de que dia ou outro, seria feliz. Disso tinha certeza, pois, alguém muito confiável lhe afirmara uma vez: "Você será feliz". E por isso acreditou, iria à frente, e realizaria tudo que tivesse de ser feito. Aliás, quem sabe a vida não lhe aguardava com belas surpresas um pouco mais à frente?
Fincou os pés no chão e foi, mal sabendo se conseguiria, mas com a certeza de que ao menos tentaria.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Lema
A vida é complicada, creio que para todos. Em nenhum momento acreditei que minha dor fosse maior que a de qualquer outra pessoa, justamente pelo contrário, dor é dor, portando dói, portanto não está fácil para ninguém. Nem para o garoto que morre de fome, nem para a patricinha que não recebe a atenção dos pais, ou para o garoto que precisa obedecer a vontade inquestionável do pai. Para ninguém é fácil, e é tão miseravelmente estúpido acharmos para nós é pior, pois não é. São bilhões de pessoas sofrendo dores e situações diferentes, umas irremediáveis, outras não. Mas seguimos sabendo que estamos vivos, que nada irá nos parar até que Deus decrete que irá, e não adianta ser fraco, não há espaço para desistentes - apesar de notar que cada um de nós é feito de pequenas desistências diárias. O que quero dizer é que não posso parar, não podemos. Tem sido triste em alguns aspectos, eu sei. É triste ter que suportar tantas injustiças diárias e notar - quase desesperadamente - que não podemos fazer nada a respeito. São anos de sofrimento sendo suportados, mas acredito que a vida é mesmo assim, é necessário que saibamos a dor amarga da tristeza, para que a alegria seja ainda mais preenchedora, para que no futuro, a alegria venha recheada de sabedoria. E não importa se ninguém se moveu para ajudá-lo, ou se assistem sua tristeza como em uma platéia, ou se até mesmo veem alguma piada nas suas lágrimas. Lembremos que há um Deus que há de cuidar para que a justiça seja feita. Loucos estão espalhados por toda parte, e as vezes, teremos que lidar com alguns deles, é necessário não ser contaminado, que ainda que ardosos braços trabalhem dia e noite por nossa derrota, que ainda assim levantemos de pé, com o sorriso no rosto e com a certeza de que o melhor virá, talvez em meses ou anos, mas há de valer a pena, eu creio que há. Que a serenidade presente das crianças, que a sabedoria dos idosos, que o amor dos apaixonados e a esperança dos doentes nos preencham, que encontremos amor em cada pessoa ao redor, que enterremos bem fundo - no chão, não no coração - essas dores que só querem atormentar, a vida é tão bela e especial para que a deixemos escorregar com dores inúteis. Alegria permanente chamada paz, te desejo para todos aqueles que respiram.
Que os que não desistiram até agora, encontrem a maior felicidade que puderem ter, que morram de pura alegria e festejem ao redor dos que zombam.
Porque afinal, a vida é uma caixinha de surpresa, e nunca se sabe a felicidade que pode vir em breve, em um presente que jamais acreditaríamos que viria.
Acreditar até o último suspiro, e obrigar-se a ser feliz, esse é o lema.
domingo, 26 de agosto de 2012
(Clarice Lispector - A legião estrangeira)
sábado, 12 de maio de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão batem à porta, não abrirás,
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada espera de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, o que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões nos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
preferiram (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morre.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 14 de março de 2012
Ah, como o tempo passou tão rapidamente e as coisas ocorreram fora de nosso controle.
As pessoas passam cada vez mais por nós e deixam suas marcas.
Marcas pesadas, quase insuportáveis.
Mas em meio a tantas dores imagino que é cada vez mais fácil superá-las.
Foi-se o tempo em que as coisas eram fáceis, aliás, esse tempo existiu?
Não sei, só se que estou feliz.
A cada dia mais Cristo me completa.
Fidelidade constrangedora diante de uma pecadora tão impura.
Obrigada Senhor, de verdade
As pessoas passam cada vez mais por nós e deixam suas marcas.
Marcas pesadas, quase insuportáveis.
Mas em meio a tantas dores imagino que é cada vez mais fácil superá-las.
Foi-se o tempo em que as coisas eram fáceis, aliás, esse tempo existiu?
Não sei, só se que estou feliz.
A cada dia mais Cristo me completa.
Fidelidade constrangedora diante de uma pecadora tão impura.
Obrigada Senhor, de verdade
sábado, 10 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Sempre fui solta, em meio á todas as gaiolas,
eu era solta.
Algemas e prisões nunca me seguraram,
eu era livre.
Que me prendessem, que me algemassem
Todos eles, no fundo, sabiam que não
era possível segurar-me.
A mente voava, os sonhos sempre me
fizeram flutuar e o pessimismo,
que costumava segurar à todos no chão
nunca me alcançou.
Realista sonhadora, sem fronteiras
Mas cheia de medos.
Tentando não ser mais uma na multidão,
tornei-me só.
Não só de pessoas, só de mentes.
Amor demais para um só coração.
Conformada.
Obedeci demais, por isso não me conheço
Tornei-me tudo que não esperava
E em meio à tantas pessoas incompletas
Finalmente completei-me.
Encontrei o amor.
Ainda que o amor só exista em mente
e que nada seja consumado,
Serei feliz.
eu era solta.
Algemas e prisões nunca me seguraram,
eu era livre.
Que me prendessem, que me algemassem
Todos eles, no fundo, sabiam que não
era possível segurar-me.
A mente voava, os sonhos sempre me
fizeram flutuar e o pessimismo,
que costumava segurar à todos no chão
nunca me alcançou.
Realista sonhadora, sem fronteiras
Mas cheia de medos.
Tentando não ser mais uma na multidão,
tornei-me só.
Não só de pessoas, só de mentes.
Amor demais para um só coração.
Conformada.
Obedeci demais, por isso não me conheço
Tornei-me tudo que não esperava
E em meio à tantas pessoas incompletas
Finalmente completei-me.
Encontrei o amor.
Ainda que o amor só exista em mente
e que nada seja consumado,
Serei feliz.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Olho para você mais um pouco enquanto posso, crendo até o fim em um milagre divino.
E você no final terminou superando todas as minhas expectativas.
Pré-saudade, nostalgia, tristeza, todos esses sentimentos me rondam quando penso que talvez as coisas não sejam como pensei que seria.
Conformada, essa sou eu.
Amor, essa sou eu com você.
Saudade, essa sou eu sem você.
Torcendo, orando, esperando com todas as forças, que em algum momento, talvez num futuro distante, eu possa te ver, e se você estiver feliz, isso já me bastaria.
Pura saudade, puro amor, pura tristeza...
Não quero ter que ficar sem você.
Mas que a vontade do Senhor prevaleça, hoje e sempre.
Amém.
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