E por um momento fiquei em silêncio, como eu já havia feito muitas vezes. Afinal, em meu caso, o silêncio sempre fora a única escolha. Sinto-me mal de sofrer por decições que não foram minhas, ora, já basta ter que lidar com as decepções de minhas escolhas, não sinto-me confortável de carregar tormentos de outros. Mas quando esses outros possuem seu coração, aí sim digo que não há escolha, a escolha acaba sendo amar e amar implica cuidar e cuidar dói.
E muito.
Principalmente quando não cuidam de volta.
Você acaba sarando as feridas alheias mas as suas estão exatamente alí, expostas em carne viva para quem quiser ver, ou não, alguns ainda escondem suas feridas embaixo de um esparadrapo ou um sorriso, costumo dizer dá no mesmo, um sorriso é quase um esparadrapo, um tapa-feridas. Sabe-se que a ferida está alí, mas de alguma forma torna-se aceitável à sociedade aceitar a ferida do próximo se estiver com um pequeno papel por cima. Porque é isso que a maioria das pessoas fazem, elas no fundo sabem que você está doente porém é mais confortável para todos fingir que não está. Tanto para o doente que na maioria das vezes prefere curar-se sem interferente alheia, quanto o suposto próximo, que não tem a mínima intenção de perder tempo preocupando-se com os problemas que rondam os outros. Como disse, já bastam os meus.
Então a sociedade segue, uns doentes, outros ainda piores - ainda que saudáveis. E percebo que é necessário ainda mais força para vencer no meio desse bando de pessoas que não se importam. Os que amam precisam ser ainda mais fortes, ainda mais verdadeiros.
Porque é assim que se luta, só combate-se a mentira com a verdade.
Não há nenhum coração de pedra que não se derreta ao ver um belo sorriso sincero.
Disso tenho certeza.
Ainda que com pouca experiencia, sim, disso tenho absoluta certeza.